Os preços dos combustíveis em Portugal vão sofrer um agravamento histórico nesta semana de 9 a 15 de março.
Segundo as previsões do setor e do Automóvel Club de Portugal (ACP), espera-se a maior subida semanal de sempre no preço do gasóleo, superando os recordes registados após a invasão da Ucrânia em 2022.
Previsões de Aumento e Preços Médios
De acordo com os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), os aumentos brutos previstos (antes de intervenção fiscal) são:
Gasóleo: Subida entre 23 e 25 cêntimos por litro;
Gasolina: Subida entre 7 e 7,5 cêntimos por litro.
Com base nestes valores, o preço médio do gasóleo simples deverá fixar-se em 1,864 €/litro, enquanto a gasolina simples 95 poderá oscilar entre os 1,780 € e os 1,839 €/litro.
Intervenção do Governo: Desconto no ISP
Face à dimensão dos aumentos, o executivo de Luís Montenegro ativou um mecanismo de apoio extraordinário. O Ministério das Finanças confirmou a aplicação de um desconto temporário no ISP de 3,55 cêntimos por litro, aplicável apenas ao gasóleo rodoviário no continente.
Contas feitas após o apoio governamental:
Gasóleo: O aumento real para o consumidor será de 19 cêntimos;
Gasolina: Não terá direito a desconto (por a subida ser inferior a 10 cêntimos), mantendo-se o aumento previsto de 7,5 cêntimos.
Causas: Tensão no Médio Oriente e Estreito de Ormuz
A escalada de preços é justificada pelo agravamento do conflito militar envolvendo os EUA, Israel e o Irão. A instabilidade levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via estratégica por onde circula cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás. Esta situação provocou uma subida do petróleo Brent, que registou ganhos semanais de 17,2%.
Reações do Setor e Abastecimento
A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) considera a medida do Governo positiva, mas insuficiente para travar o impacto na economia. A associação defende que o desconto no ISP deveria abranger também o GPL engarrafado e apela a um esforço adicional na receita do IVA.
Apesar da corrida aos postos de abastecimento registada esta sexta-feira, a ANAREC assegura que não existe risco de rutura de stock em Portugal, existindo reservas estratégicas para dois a três meses.
Os preços finais podem variar consoante o posto de abastecimento e a marca. Os consumidores podem consultar o Portal Preços dos Combustíveis Online para identificar as opções mais económicas na sua região.
Sergio Bernardo